domingo, 15 de novembro de 2009

O Iê iê iê moderno de Arnaldo Antunes




Larissa Wilson

O mais recente álbum do criativo músico Arnaldo Antunes, intitulado Iê iê iê, é recheado de músicas inteligentes e de um ritmo peculiar que faz lembrar uma geração que marcou época, a Jovem Guarda. Neste álbum, Arnaldo Antunes apresenta um rock n' roll dançante que leva o ouvinte à lembrança dos trejeitos dos anos sessenta.

Com uma pitada tropicalista e um toque de brega, a primeira faixa do álbum, denominada Iê iê iê, mistura ritmo antigo com letra contemporânea. Fala em baile funk, em gravar CD e nas aspirações de um artista, como cantar na TV, nas rádios e na busca em se tornar uma celebridade.

A batida da bateria continua na faixa dois, chamada "A casa é sua", até chegar à faixa seguinte, "Aonde você for", que surpreende o ouvinte com uma guitarra rasgada, lembrando o velho twist. A canção fala de amor e em alguns trechos o músico até brinca com palavras em inglês – Meu bem, o que você pedir eu dou/O que você quiser saber, I know –, o que faz recordar caracteristicas das músicas daquele tempo, cuja maioria era traduzida do inglês para o português.

A faixa 4, "Vem cá", já com uma melodia mais leve - podendo ser considerada um rock/pop mais atual - dá inicio a uma sequência de canções mais calmas, como a faixa 5, "Longe", que é mais melodramática. Nesta música, Arnaldo Antunes fala dos sentidos da vida, fazendo até uma crítica à sensação de vazio que a modernidade traz. Nos versos Dizem que a vida é assim/ Cinco sentidos em mim/ Dentro de um corpo fechado/ No vácuo de um quarto/ No espaço sem fim, fica claro o pensamento do compositor.

Na faixa seguinte, a música denominada "Invejo", como já supõe o nome, trata da inveja que existe no cotidiano das pessoas. Com sarcasmo e ironia, Antunes canta O carro do vizinho é muito mais possante/ E aquela mulher dele é tão interessante, e no refrão continua Invejoso/ O bem alheio é o seu desgosto e com bastante humor a questão da cobiça alheia é criticada.

Chegando à metade do albúm, a sexta faixa retoma o ritmo sessentista e a música "Velhice", de ritmo animado, paradoxalmente fala de velhice e de morte. Mais uma vez uma letra divertida e temas atuais chamam a atenção de quem ouve.

"Sua menina" é a próxima faixa e logo na introdução, embalada com sons de teclado, sentimos o peso da música. Mais uma canção de amor, para dançar de rosto colado em um baile dos anos dourados.

A animação é retomada com a faixa 9, "Um kilo", uma canção contagiante que brinca com as palavras fazendo trocadilhos: Duas da tarde não é duas da manhã/Prefere menta mas aceita hortelã; e no refrão brinca: Porque o céu não sai de cima/Um beijo só não vai tirar um pedaço.

Chegando ao fim do disco, a faixa 10, "Sim ou não", dá continuidade ao ritmo dançante. A faixa 11, "Meu coração", é um brega que possui no refrão as rimas Meu coração, bate sem saber/ Que meu peito é uma porta que ninguém vai atender.

E, finalizando o álbum com chave de ouro, a música "Luz Acesa", que tem as caracteristicas que o álbum Iê, iê, iê sugere: é dançante, nostálgica e com uma mistura de Jovem Guarda, Beatles, twist, Erasmo Carlos, deixando o ouvinte com um gostinho de quero mais.

1 comentários:

Salomão Miranda | 5 de novembro de 2009 10:01

Olá Larissa Wilson,

boa apresentação do novo disco deste grande artista.

Em relação à música "longe", não acredito que com as informações que vc colocou dá pra conhecer a opinião do compositor sobre o vazio da vida.

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