quarta-feira, 1 de abril de 2009

redescobrimento


redescobrimento
| Por Emanuela Gomes


Emanuela Gomes é uma portuguesa baiana. Calma, eu explico. A moça nasceu em Paulo Afonso (BA), viveu por aqui até os cinco anos de idade e partiu, com sua mãe (brasileira), ao encontro de seu pai (português) nas terras da nossa antiga metrópole. Agora ela voltou para redescobrir o Brasil, com a desculpa de que veio às terras caetés para um intercâmbio na Universidade Federal de Alagoas (Ufal).


e-mail: [ manu.lima.gomes@gmail.com ]

---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

O mesmo português?



Dizem por aí que fala-se o mesmo português em Portugal e no Brasil. Mas, como pode ser a mesma língua quando - segue um exemplo inocente - a palavra ‘rapariga’ num lugar trata-se de moça e, no outro, prostituta?

Esse é só um dos imensos exemplos que podemos encontrar. Quantos embaraços palavras como essas já não criaram? Para exemplificar esse tipo de embaraço, costumo contar a história de um amigo meu, brasileiro, que foi a Portugal. Um belo dia, no final de uma refeição lá em casa, o meu pai perguntou-lhe no seu português de Portugal bem português: “Luís, (era esse o seu nome) queres boleia?”, ao que ele respondeu: “Não, obrigado, 'tou cheio”. Tradução: boleia = carona. Coitado do Luís, que acabou por ir a pé.

São tantas as palavras que me confundiam no início, que nem sei por onde continuar. Acho que vou pegar exemplos de uma das minhas grandes paixões, o futebol. A primeira vez que ouvi um relato aqui, demorei para entender. Como era suposto saber o significado das palavras “zagueiro”, “escanteio”, “gramado”, “goleiro” e coisas do gênero? Bem, lá o que vocês chamam de zagueiro, é defesa. Escanteio, é somente canto. Gramado é relvado e goleiro é guarda-redes.

Claro que tem outras palavras que, pensando um pouco, dava para entender. Como torcerdor, aquele que torce por alguém, tem sentido. Para nós, torcedor é adepto. Ou então reserva, também de fácil compreensão, que, para nós, é suplente. Dizem que futebol é uma linguagem universal. Pois bem, não é.

Estou numa terra em que o sumo não está no frigorífico, é o suco que está na geladeira! Eu não bebo gasosa, bebo soda. Não espero o autocarro na paragem, espero o ônibus no ponto. Não acho as coisas fixes, acho legais. Não faço um golo dentro da baliza, faço gol dentro das redes. Não faço beicinho, faço biquinho. Não acho alguém betinho, acho mauricinho. Nem muito menos acho um homem giro, acho gato.

Ainda acham que falamos a mesma língua? Vão para Portugal e digam que querem fazer um bico, para ver o que acontece! E são essas diferenças que, apesar de nos separar, tem piada. E com que nenhum acordo vai acabar.

Agora tente resolver as palavras cruzadas abaixo:


1 comentários:

Bruno MGR | 23 de dezembro de 2009 23:45

Muito bom Manu. Lembro de uma muito interessante. O "goza comigo" dito pela sua pessoa e que causou tanta estranheza entre nós.

Postar um comentário