segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Crianças malvadas?


O cinema retrata o lado obscuro da infância e especialistas questionam o modo de criação atual



Marcos Filipe Sousa

Elas são meigas, possuem rosto angelical e representam o que há de mais puro na sociedade. As crianças sempre serviram de tema para o mundo cinematográfico, mas um ranking publicado no início do segundo semestre pelo site G1 nomeou as 10 crianças mais malvadas da história do cinema. Em que se fundamenta este lado negro da infância? Para alguns pedagogos e psicólogos, isto é reflexo de uma maturidade precoce.

No dia 14 de outubro, uma menina de apenas 11 anos esfaqueou outra de 6 no município de Assis, a 434 km de São Paulo. Segundo a polícia, ela disse que as duas estavam comendo acerola quando o chapéu com as frutas voou e ela saiu para pegar. Ao retornar, viu que a amiga estava com uma faca de cozinha, que haviam levado para cortar as frutas, cravada no peito. Com medo da reação das famílias, a menina teria enfiado ainda mais a faca no peito da colega e depois dado outra facada em abdômen. Em seguida, saiu correndo. O crime chocou a população, e especialistas questionam a criação atual das crianças, que podem levar a atitudes como essa.

A responsabilidade precoce dada aos pequeninos pode ser um dos motivos da atitude desta nova geração, explica a psicóloga Kátia Assunção. “Hoje as crianças são cobradas muito cedo e isso traz uma maturidade de valores. Por não terem experiência suficiente, atitudes como a que ocorreu em São Paulo concretizam esse pensamento”, explica.

Um dos filmes que estão na lista e que está em cartaz no Brasil é A Órfã. No terror, Esther é uma menina russa de 9 anos que é adotada por um casal traumatizado pela perda de um bebê. Mas, aos poucos, Esther revela a maldade que esconde dentro de si, ameaçando a família adotiva. Este é um dos inúmeros exemplos cinematográficos que retratam o lado obscuro do comportamento infantil.

A educadora Fernanda Pallone explica que os pais devem se questionar: Como será que começou tudo isso? Como será que aquele “anjinho” que existia em casa tornou-se essa criança birrenta e de comportamento difícil? Para Fernanda, é preciso iniciar o trabalho com os pais para depois chegar aos filhos. “Realizar sempre os gostos dos pequenos, não impor limites e não mostrar o certo e o errado, são atitudes que no futuro, podem construir a personalidade dissimulada e egoísta”, explicou.

Segundo as duas especialistas o diálogo ainda é a melhor forma de relação com os filhos. “É preciso que os pais quebrem a barreira da autoridade e sejam capazes de compreender a criança”, destaca Fernanda.

Trailer do filme A Órfã:

3 comentários:

Anônimo | 6 de janeiro de 2010 19:51

Sou estudante de psicologia e me chamo Carol Pedrosa e achei o texto interessante, que traz um lado que poucas pessoas conhecem das crianças. Gostaria de saber qual/quais autor/autores que foram usados, além da minha professora Kátia. rsrsrs

Anônimo | 14 de janeiro de 2010 15:29

Já tinha visto esse top de crianças malvadas. Legal a abordagem dada em cima do tema. (Caio César)

Anônimo | 2 de abril de 2010 15:05

olá Marcos Filipe Sousa. Como vai?
Eu sou Fernanda Pallone, citada no texto acima.
Gostaria que entrasse em contato comigo, seria possível?
Meu e-mail é: ferpallone@yahoo.com.br
Obrigada

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